quarta-feira, 22 de junho de 2011

Perigo no ar: RAIOS !

Morrer por ter sido atingido por um raio !
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- Raro, não ?
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- Pois é, ocorreu mais vezes no Brasil, no ano passado (2010) do que mortes por acidentes aeronáuticos.
Fonte: CENIPA 
- Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos -


 Já os raios...

 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/932810-raios-mataram-89-pessoas-no-pais-em-2010.shtml

Raios mataram 89 pessoas no país em 2010 

20/06/2011 - 21h45  


No ano passado, 89 pessoas morreram após serem atingidas por raios no Brasil, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). O número é menor que a média registrada entre 2000 e 2009, de 132 vítimas por ano.
Não quero difundir pânico generalizado quanto aos raios, nem querer convencer todo mundo que o medo de voar é apenas um fator psicológico não fundamentado em dados concretos, racionais.

Caso a estatística aqui mostrada fosse referente a acidentes fatais com carros, motocicletas e ônibus, a comparação ficaria mais gritante ainda. Nem por isso pessoas se despedem dos entes queridos ao antrar em um carro, como se (e infelizmente é) a jornada fosse cercada de grandes riscos.

Quero aqui prestar meu reconhecimento ao CENIPA - pelas décadas de trabalho sério realizado com a Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, e também meu voto de confiança à ANAC, que está iniciando seus trabalhos no sentido de dar continuidade (espero que não queira fazer nenhuma "destruição construtiva") a este nobre trabalho.
E a todos que participam da aviação de alguma forma, em atividades profissionais ou amadoras, o alerta que o trabalho de prevenção de acidentes aeronáuticos é árduo, interminável, de baixíssima visibilidade externa e terrívelmente frustrante quando uma ocorrência surge para demonstrar que todo o trabalho precisa incluir mais um enfoque.

Voe com Segurança - Fly Safe !
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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Utilidade do MGSO (exemplo)


Saiu na imprensa hoje, no site "Último Segundo" - http://ultimosegundo.ig.com.br/

“À beira da Guanabara, Aeroporto Santos Dumont não tem botes para salvamento aquático" (clique aqui para ler a notícia completa)

(foto do site da IG - link)

"Anac aponta falta de equipamentos e bombeiros temem tragédia. Lanchas da Infraero não funcionam e socorro é feito com embarcação emprestada.”

 

 

 

"O laudo de vistoria da Anac aponta uma série de irregularidades e a falta de equipamentos adequados na unidade responsável pelo combate imediato de incêndios e acidentes no aeroporto Santos Dumont, o segundo maior do Rio. O aeroporto é o mais usado da ponte-aérea Rio-São Paulo e, na última sexta-feira, teve 110 voos domésticos – ficando só atrás de Congonhas (SP), Guarulhos (SP) e Brasília (DF).
De acordo com visita técnica da Anac, ocorrida entre 28/2 e 1/3 de 2011, foi verificada “ausência de botes e boias para salvamento aquático”. Quase quatro meses após o laudo, a unidade continua sem botes e boias.
No documento, a Anac afirma que, como “medida urgente, o operador aeroportuário deverá estabelecer um plano de contingência relacionando os recursos existente planificados, tempos-resposta, capacidade de salvamento/resgate, procedimentos e responsabilidades de cada ente participante”.

Entendo que o "vazamento" do conteúdo da Vistoria (seria Auditoria ?) de Segurança Operacional feita pela ANAC é uma grave falha procedimental, e não contribui para a facilitação, ou "convencimento" dos executivos das empresas a permitirem a realização de Vistorias de Segurança Operacional em suas empresas.

Dentro da ótica do SIPAER (CENIPA), isto é quebra do código de ética e passível de punições, para quem fez a indevida divulgação. A ANAC também recomenda o sigilo, e por isso espera-se que providências sejam tomadas quanto a este aspecto.

Mas procurando tirar coisas boas de fatos desagradáveis, aproveito a publicação da notícia para informar:
  1. Ao público em geral: Os Provedores de Serviços de Aviação Civil (aeroportos, empresas e escolas) tem ou estão implantando o SGSO (sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional), através de um Manual (MGSO), e nele são previstas Vistorias e Auditorias de Segurança Operacional, periódicas e préviamente agendadas - e também não agendadas pela ANAC, justamente para identificar  falhas antes que possam contribuir para um acidente ou agravamento das consequencias de um incidente/acidente;
  2. Para os Executivos Principais dos Provedores de Serviços de Aviação Civil: Os relatórios de Vistoria de Segurança Operacional e de Auditorias de Segurança Operacional, continuarão sendo tratados de forma sigilosa por este GSO que aqui escreve, e recomenda este procedimento para todos;
Voe Seguro ! - Fly Safe !

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Planando à noite em um Boeing 747, sobre o Oceano Índico


Era um vôo rotineiro e tranqüilo, e o Jumbo 747-236B, matrícula G-BDXH (City of Edinburgh) da British Airways fazia o vôo 9 (BA flight 9), que havia se iniciado em Londres. Decolara da escala em Kuala Lampur cinco horas atras, e sobrevoara havia pouco a capital da Indonésia, Jacarta a 37 mil pés, com destino à Pert, na Austrália. Depois prosseguiria para Auckland  na Nova Zelândia.  

G-BDXH (City of Edinburgh)
Haviam 263 pessoas a bordo.

A data era 24 de junho de 1982, e se passavam pouco mais de 30 minutos das 20 horas (local), ou 13h UTC.
Seu comandante, Eric Moody e sua tripulação não sabiam (a informação não estava disponível), que o vulcão Galunggung, situado a 110 milhas a sudoeste de Jacarta havia entrado em erupção seis horas atrás, lançando enorme quantidade de gases e cinzas no céu que eles iriam cruzar em sua rota.

Nada aparecia no radar meteorológico do avião, e o comandante Eric saiu para esticar as pernas, quando notou um cheiro parecido com fumaça de fiação elétrica, o que o fez retornar imediatamente para o cockpit.
Ao entrar no cockpit e ocupar seu assento, era visível o “fogo de Santelmo” em todo o parabrisas. Enquanto questionava a tripulação a respeito do cheiro  observava estranhas minúsculas partículas brilhantes contornando o nariz do avião.
O motor #4 apagou !
Foram iniciados os procedimentos de falha de motor, enquanto também ocorria o flame-out do motor #2, seguido poucos segundos após pelo #3 e pelo #1. O Mecânico de Vôo disse o óbvio:
- Desculpem, mas perdemos todos eles ! Era 13h42’ UTC (20h42’ local).
O Comandante estabeleceu o drift down (descida forçada) e tomou a proa inversa para Jacarta; O Primeiro Oficial declarou pelo rádio a emergência enquanto o Mecânico de Vôo tentava reacender pelo menos um motor (flight start).
O rádio transmitiu com muita estática, e a mensagem de emergência não foi entendida pelo controle de tráfego aéreo de Jacarta, sendo então  retransmitida incompleta (pela dificuldade de compreensão) por outro avião, que entendeu que somente o motor #4 do G-BDXH havia se perdido, e não seus 4 motores.

Tinham eles 23 minutos para pousar (no Oceano Índico), caso nenhum motor voltasse a funcionar.
A aeronave despressurizou pela falta de ar vindo dos motores agora inoperantes,  as máscaras para os passageiros caíram como previsto, e a tripulação também usou as suas. Não houve pânico entre os passageiros, quando o Cmte Eric dirigiu-se aos passageiros pelo interfone com esta mensagem:
"Ladies and gentlemen, this is your captain speaking. We have a small problem. All four engines have stopped. We are doing our damnedest to get them under control. I trust you are not in too much distress."
"Senhoras e senhores, quem fala é o comandante. Temos um pequeno problema. Todos os nossos 4 motores pararam, Estamos fazendo o máximo para controlar esta situação. Acredito que o perigo não é muito grande para vocês."

Os pitots (sim, os pitots !) estavam parcialmente entupidos, e havia uma diferença de 50 kt nos velocímetros. O Comandante optou por acreditar estar voando na velocidade média entre eles, por não ter como saber qual era o mais acurado, e usou a razão de descida como parâmetro de controle.
Ainda descendo, e próximo de 12 mil pés, o motor #4 foi recuperado, mas não teria potência suficiente para manter a altitude mínima de 10500 pés necessária para ultrapassar o terreno montanhoso entre eles e o aeroporto.

Teriam que amerrisar. Eram 20h56’ hora local.

O motor #3, logo seguido pelo #2 e #1 foram também recuperados, mas prosseguir para o pouso em Jacarta era o óbvio, já que a continuação do vôo seria temerária sem uma avaliação do ocorrido.
O motor #2 começou a apresentar estol de compressor, e foi desligado.
Ao fazerem o procedimento de aproximação por precisão (full ILS), descobriram que a indicação de rampa (glide) não aparecia, e foi utilizado somente o indicador do eixo da pista (localizer), combinado com o DME. Apesar da visibilidade ser total, os parabrisas estavam cobertos quase que completamente de cinzas, e a visualização da pista só pode ser feita pela junção do vidro com a coluna central, que ficou relativamente transparente.
O pouso foi realizado normalmente, mas a falta de visibilidade impedia o taxi, e o avião teve que ser rebocado para o pátio.
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Não houve vítimas neste vôo, para decepção de alguns editores que deixaram de ter uma forte chamada para “vender” a notícia.

Tripulação do British Airways flight 09 após o pouso em Jacarta

Os motores ficaram completamente inutilizados, e os peritos que os examinaram entenderam que o reacendimento só foi possível porque o vidro criado pela fusão da sílica das cinzas no interior do motor, solidificou-se com a brusca diminuição de temperatura durante a descida, sendo quebrados e expelidos das aletas da turbina no processo de reacendimento.
Os tanques de combustível tiveram que ser descontaminados, porque entraram partículas pelos “surge tanks” (sistema de ventilação) e todo o sistema de pressurização também teve que ser reparado.

Este avião foi rebatizado pela tripulação de "Flying Ashtray" (cinzeiro voador) e entrou para o Guinnes Book of records, pela distância voada planando, e só foi superado em agosto de 2001 pelo A330 C-GITS  da Air Transat, que voou 65 NM sem motores, e pousou numa base aérea nos Açoures, por ter ficado sem combustível devido a um vazamento nos tanques.
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Conclusão: Uma tripulação bem treinada pode “solucionar” condições bastante desfavoráveis em vôo, e conseguir um resultado final sem vítimas e muita história para contar.
                               Pessoalmente.


Como o fez o Comandante Eric Moody na 2ª Conferência Internacional sobre Cinzas Vulcânicas e Segurança de Vôo, ocorrida em 2004 nos Estados Unidos da América do Norte.
Fontes:

quarta-feira, 8 de junho de 2011

REGIÃO DE COMANDOS REVERSOS


O vôo de baixa velocidade:

- Com o avião nivelado, para voarmos mais devagar, diminuímos um pouco a potência e aumentamos um pouco a atitude (nariz prá cima - cabrar), provocando:
  •  aumento do ângulo de ataque das asas;
  • aumento do coeficiente de sustentação proporcional à diminuição da velocidade, que manterá a sustentação igual ao peso do avião, permitindo o vôo nivelado;
  • aumento do arrasto induzido, compensado pelo motor (ainda);
  • diminuição do arrasto parasita, pela diminuição da velocidade.
E assim, nosso aprendiz de feiticeiro vai conseguindo voar cada vez mais devagar com sua nave, até que ela insiste em começar a perder altitude (descer), ao repetir este procedimento várias vezes.

- Bingo ! Acabou de achar a velocidade de espera, a “loiter speed”, ou seja, a velocidade de maior permanência no ar, que é bem próxima da velocidade de melhor planeio (usada nas emergências monomotor) e de melhor ângulo de subida ! É onde a potência disponível do seu motor é máxima – “sobra mais potência para subir”. 

Mas você quer voar mais devagar ainda, e resolve aplicar potência !

E seu avião fica estável na mesma altitude ! 

Ahá ! Superpilot ! Você acabou de entrar na região de comando reverso, onde mais potência é necessária para que você voe mais devagar. Você está dependurado no motor !

Veja na figura, a parte destacada, onde o coeficiente de sustentação começa a diminuir com o aumento do ângulo de ataque (antes do estol).

Nos aviões treinadores, a engenharia coloca uma série de artifícios para avisar o novato que o ângulo de ataque está muito grande: Torção ou variação do perfil do aerofólio para provocar “buffet” (trepidação), alarme de estol (buzina e luz), capacidade limitada do profundor em continuar cabrando o avião e até a presença angelical do instrutor de vôo.
Já nos aviões maiores, múltimotores de grande potência, essa região é aproveitada para se fazer a aproximação para pouso. O arrasto adicional é bem vindo, e a massa (peso) impede a desaceleração além do desejável.
Devido ao peso elevado desses aviões, qualquer diminuição de velocidade no toque significará muitos metros a menos de pista necessários para a parada, afinal, todos sabemos que a "quantidade de movimento" é massa vezes velocidade ! E haja freio !


Comente, caso esteja interessado em mais informações.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Upset recovery training - "Recuperação de atitudes anormais"

O foco são jatos voando em grandes altitudes.

Creio que entre nossos leitores temos poucos aviadores frequentadores assíduos de níveis de vôo maiores do que o 300.

Mas como "informação não pesa", acredito que você gostaria que eu me dispusesse a colocar um pouco de cultura aeronáutica à sua disposição:

Imagem inicial da apresentação da Flight Safety Foundation, encontrada em

O tema está em foco, porque o treinamento de recuperação de atitudes anormais com aeronaves de grande massa e inércia (pesadas) em grandes altitudes parece estar relacionado com o "crash" do vôo AF 447, conforme diversas matérias de sites oficiais, inclusive do BEA tem sugerido.
Por ora, vou indicar alguns sites sobre o assunto, que comentarei no próximo post.

Palestra em inglês, do: 

NBAA Upset Recovery Industry Update CASS 2011

 http://www.apstraining.com/2011/nbaa-upset-recovery-industry-update-cass-2011/

 

 Princípios aerodinâmicos envolvidos (site da Boeing Corp):

Aerodynamic Principles of Large-Airplane Upsets
http://www.boeing.com/commercial/aeromagazine/aero_03/textonly/fo01txt.html

Voltarei ao assunto brevemente.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Flight with unreliable airspeed"

Prá quem voa IFR - e para quem estudou teoria de vôo com a devida atenção, deve lembrar-se do axioma:

"ATITUDE é velocidade; POTÊNCIA é razão de subida ou descida."

Quem não entende isso, não entenderá o comentário como um todo.

No manual de vôo do 737 e 727, tínhamos um item de emergência denominado "Vôo sem indicações de velocidade" (tradução livre do título deste post).

Em caso de quebra do radome, ou falha do sistema anemobarométrico (pitots), mantenha a aeronave na atitude de nariz correspondente à velocidade desejada, e a potência dos motores de acordo...  A memória me trai para reproduzir os termos exatos, mas a idéia é essa.

Tenho informações "off the record" de casos semelhantes, que o aviador "voou atitude" até que os sistemas fossem restabelecidos. Mas não considere isso - atente apenas à lógica fria dos fatos.

O escopo do treinamento dos aviadores, PROPOSTO pelo fabricante da aeronave e APROVADO pela autoridade aeronáutica competente (quase coloquei entre aspas), deveria cobrir toda a gama de anormalidades e emergências possíveis de ocorrer com a aeronave. Se isso não ocorrer, o nome passsa a ser o adotado por quem trabalha com prevenção: FALHA LATENTE.

As autoridades francesas divulgaram a transcrição combinada do voice recorder com o flight data recorder, dos minutos finais do vôo AF 447: O aviador respondeu à indicação errônea do velocímetro, combinada com o alarme de estol com... pith up (nariz para cima) e lateralmente (espero que para nivelar as asas)...

Claro, não tenho todos os dados e nem quero "resolver" a investigação com este vislumbre vindo de uma transcrição da imprensa - Quem tem todos os dados e vai opinar em última e definitiva instância será o BEA - órgão francês de investigação de acidentes aeronáuticas.

Só quero dizer isso prá todos vocês:

"ATITUDE é velocidade; POTÊNCIA é razão de subida ou descida."
Jamais se esqueçam !


quinta-feira, 26 de maio de 2011

"SAFETY" e lucro


Safety é compatível com o lucro !

Só nas lendas, o almoço é sempre de graça.

Para que se tenha prevenção, é necessário investimento. Os recursos dos investimentos das empresas provém do faturamento maior que as despesas – o tão mal falado lucro nestes tempos de ideologia burra.

Causa-me espanto a “comemoração” de que o valor das passagens aéreas caiu 60% nos últimos anos. O que isso significa, seguindo a lógica fria dos números ?

  • ·         O preço do combustível NÃO baixou;
  • ·         O preços dos equipamentos (aeronaves e peças) NÃO baixou;
  • ·         Os encargos trabalhistas NÃO baixaram;
  • ·         As taxas de utilização da infraestrutura aeronáutica NÃO baixaram;
  • ·         O custo da construção civil, dos hotéis, taxis e demais serviços auxiliares NÃO baixou;

BAIXARAM:·          
  • Salários dos aeronautas/aeroviários;
  • Investimentos em treinamento (comissários de bordo, por exemplo, passaram a ser formados fora das empresas, por conta dos interessados);
E os gastos em promoção da Segurança Operacional, da prevenção de acidentes aeronáuticos, dos seminários especializados... Foram mantidos ?


quarta-feira, 25 de maio de 2011

AVIADOR ou piloto ?


Como fui questionado a respeito, esclareço a minha preferência declarada pelo uso do termo “aviador”,  ao invés de “piloto”, para referir-me aos privilegiados que operam máquinas voadoras.

Piloto necessita de adjetivação: piloto da canoa, piloto do Boeing, piloto da organização, piloto desta bagaça (vide CQC). Não vou entediá-los transcrevendo por aqui as definições do dicionário. Tem muitos disponíveis por aí.
AVIADOR é específico. Aviador relaciona-se a naves que voam: aviões, helicópteros, balões, planadores... É o homem da aviação – indiscutívelmente. 
Exemplo: 
Jamais entraremos em uma van para ouvir de um passageiro a frase: Esse aviador é bom ! Referindo-se ao motorista. 
Mas ...  “quem é o piloto que vai nos levar ?” é bastante comum, e confunde mentes a respeito do tipo de formação que um “piloto de aeronaves tem”.

Pilotando este meu teclado, com toda a força de meu espírito aviador, afirmo: 

Piloto é qualquer. Aviador, é único !

domingo, 22 de maio de 2011

Mercado de trabalho e Segurança de Vôo (Safety)


As empresas de aviação escolhem os aviadores mais qualificados disponíveis no mercado para compor seus quadros de piloto. Nas empresas de transporte aéreo regular (a “aviação comercial”), fazem a combinação entre pouca idade versus maior qualificação.

O que é “qualificação” ?

As licenças e habilitações técnicas são obrigatórias, e portanto não se enquadram no quesito de comparação de qualificações. Nivelam todos

Temos a quantidade total de horas voadas pelo candidato ao cockpit: Mais é melhor... mas nem sempre.
Duas mil horas de comando/instrutor de treinador primário (aeroboero, cessna 150/152/170 e outros monomotores leves), poderiam ser comparadas a 200 horas de aviões leves e 1800 de, digamos, copiloto de turbohélice bimotor (King Air, Carajá, Xingu), ou jato (Phenom, Lear, Citation Jet, etc) , estes últimos voando IFR, primáriamente ?

Depende, certo ? Se o posto é um comando de um monomotor, voando em aeródromos precários ou num cockpit de Boeing ou Airbus, uma ou outra tem suas vantagens.

Enquanto o selecionador for um aviador*, essa distinção certamente poderá ser feita de forma a colocar o homem certo no lugar certo. Caso seja uma setor de RH tradicional, essas sutilezas podem ser relevadas em favor da quantificação sobre a qualificação.

E o panorama atual, onde o emprego é farto, e raras as licenças e habilitações técnicas disponíveis ? 

Basta o mínimo ! E sempre que possível, aceitam-se boas promessas de aprendizado rápido e “bom mocismo”. Tudo dentro da mais estrita LEGALIDADE.

Recomendações de segurança: Formar maior quantidade de aviadores para suprir a demanda atual e futura ! 

Para isso, é necessário investimento e incentivos aos Aeroclubes e Escolas de Aviação,  por parte das autoridades, e não (jamais!) importar profissionais para ocupar os nossos postos de trabalho !

E isto está sendo feito ? 
                                                                                                              
* Certa vez fui fazer um concurso público organizado por uma "assessoria independente" renomada, que selecionava aviadores para uma empresa de economia mista. Solicitavam aviadores com marcas (horas de vôo e tipo de operação em helicópteros) expressivas. 
No dia da prova teórica inicial, apresentaram-se seis aviadores para a seleção, e todos se conheciam mutuamente. 
O auditório era imenso, e os recrutadores, na roda do cafezinho posterior à prova lançaram a dúvida: Porque tão poucos candidatos, e todos já empregados ? 
Resposta (óbvia só para quem é da aviação): Porque as qualificações que pediram só pode ser alcançadas por quem tem mais de 20 anos de aviação !

sábado, 21 de maio de 2011

CFIT - Controlled Flight into Terrain


O tomate ia atravessando a rua distraidamente e ... sbloch !
Desculpem-me pelo humor negro, mas serve para focar e ilustrar.
CFIT (Colisão com o solo em vôo controlado) é uma das recorrências mais freqüentes nas análises de acidentes modernos: O(s) aviador(es) acreditam que o vôo está transcorrendo normalmente e... tinha uma pedra no meio do caminho !
Estudos são publicados a respeito da influência da automação a bordo na perda de consciência situacional, e também a respeito de relaxamento de princípios de planejamento de vôo. Contribui também a navegação pelo GPS somente, esquecendo as desajeitadas (!) cartas de navegação, e não respeitar os preceitos de “sterile cockpit” (aviadores concentram-se exclusivamente na condução do vôo).
 “Durante a fase de descida, é importante manter-se em altitude igual ou superior à mínima publicada para o setor”, especialmente durante operação VFR próximo dos mínimos e durante operação noturna. Em operação IFR (estando IMC ou não) os procedimentos publicados já determinam este tipo de cautela.
A região do acidente com o Sêneca I prefixo PT-IFS, parece sugerir isso (imagem).
Não estou afirmando. Esclarecimentos sobre o acidente quem irá prestar será o CENIPA, que obtém todos os dados, processa as informações e emite as recomendações de segurança derivadas à comunidade aeronáutica e demais interessados.
Meu objetivo é comentar a respeito de CFIT, e uso entristecido o tema deste acidente para procurar difundir informações – aumentar o alerta situacional dos aviadores e prover informação aos aficcionados que aqui me honram com a visita.
O vôo visual noturno propicia a ocorrência de ilusões de ótica, razão pela qual deve ser treinado pelos iniciantes, e reciclado periódicamente pelos já habilitados.
Seria mais crítico se não fosse em fase de lua cheia – como no dia do vôo fatal, que provavelmente foi escolhido pelo instrutor para facilitar a adaptação do aluno. 
São Pedro (esquerda) e Serra do Cristo (+ de 800m) à frente, rumo S. J. Rio Preto (altura do ponto de vista 675m)
Uma dessas ilusões é o fenômeno conhecido pela expressão em inglês “black hole” (buraco negro). Ocorre quando se está sobrevoando uma região com um local iluminado (na imagem, a parte habitada, à esquerda) e à frente e à direita a serra e a área rural, com luzes esparsas que poderiam confundir-se com o céu noturno que completa a paisagem, deixando o horizonte indefinido, e também a noção de altura (não altitude, amigos). Isso causa a impressão de se estar mais alto do que na realidade estamos.  
As autoridades aeronáuticas obrigam aeronaves de transporte de linha regular, e incentivam a instalação em aeronaves da aviação geral, de sistemas de alerta contra a colisão com o solo
O nome "genérico" é GPWS (ground proximity warning system), que emite alarmes sonoros e aurais aos aviadores quando a aeronave se aproxima do solo. É um sistema que combina radar doppler, com velocímetro, altímetro e bancos de dados computadorizados para processar a informação. Nos aviões fabricados pela EADS (Airbus), o GPWS é capaz de assumir o controle da aeronave, ganhando altitude sem a necessidade de ação por parte dos aviadores.
Voltarei a comentar o vôo noturno oportunamente. E também CFIT.
“Altitude é segurança” nunca houve caso de aeronaves colidirem com o céu...

Alerta de proximidade com o solo - evitando CFIT

Abaixo está o exemplo do funcionamento do GPWS citado no outro post.

O equipamento emite sinais sonoros de uma buzina irritante, combinado com as palavras "terrain" e "pull up", significando respectivamente "solo ou terra" e "arremeta" (suba).  Para assistir, clique no link para o youtube: 

Funcionamento do GPWS (no simulador)
 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Criminalização do Acidente Aeronáutico

A postura da ICAO - Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) é bastante clara a respeito da necessidade de NÃO se imputar civil ou criminalmente ERROS em aviação.
Porque ?
1) O acidente já é uma forma de punição bastante forte para quem o sofreu;

2) Ninguém erra intencionalmente. O nome para isso (erro intencional) é VIOLAÇÃO (escreverei a seguir sobre isso);

3) Todo o sistema de prevenção de acidentes aeronáuticos se baseia em prestação voluntária de informações por parte de tripulantes e aeroviários em geral. Caso essas informações venham a ser utilizadas como prova em processos judiciais, grande parte do sistema de prevenção de acidentes será prejudicado. As informações deixarão de ser confiáveis e acidentes semelhantes continuarão a ocorrer, porque ninguém irá dizer o que realmente aconteceu !

4) Nenhuma categoria profissional é tão vigiada em suas atividades como os aviadores - com gravadores registrando sua voz (cadê a privacidade?) e todos os seus atos durante a operação da aeronave. E se os aviadores, a partir de então, decidissem boicotar os sistemas, desligando-os ou falseando os dados de alguma forma ? Seria ilegal NÃO PRODUZIR PROVAS CONTRA SÍ MESMO ?

5) Grande parte das aeronaves mais automatizadas atualmente fica fora do alcance das decisões e comandos dos aviadores. Uma mudança instantânea em um parâmetro digitalizado (zeros e uns significam carga elétrica presente ou não) pode resultar em um comando aleatório que desencadeie uma catástrofe inexplicável (?) mesmo com os registros íntegros.

É uma zona cinzenta ainda não totalmente divulgada, mas já demonstrada em pelo menos uma tese de doutorado aqui no Brasil. Oportunamente talvez postarei algo a respeito dos "bits invertidos" aqui.

Finalmente, é triste, mas sabemos que determinadas indenizações propostas vão bem além do razoável, sem querer com essa frase querer calcular o valor de uma vida humana.

Mas isso é aplicado também em acidentes de ônibus, atropelamentos e fatalidades causadas por evidente má conservação das estradas deste país ?
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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quanto custa a formação de piloto ?

Apresento o link para o blog de um aviador que apresentou um excelente texto informativo.
Veja o artigo clicando no link abaixo:

Custo da formação do piloto

sábado, 14 de maio de 2011

É possível eliminar todos os PERIGOS ?

PERIGO, segundo a definição adotada em Safety, é:

TODA CONDIÇÃO, SITUAÇÃO ou LOCAL que possa trazer dano material, ferimentos ou fatalidades a pessoas.

Ou seja, o perigo existe em todo lugar. No seu banheiro, o perigo é que você escorregue; ou que o espelho ou a porta de vidro se quebrem. O chuveiro elétrico pode dar choque, o vaso sanitário quebrar; uma infecção pode se instalar, proveniente do ambiente úmido. O teto pode cair...

Assim, também o motor do avião pode falhar, um incêndio, a energia elétrica pifar, o óleo vazar, o pneu furar... O perigo ronda !

Todavia, o PERIGO é o POTENCIAL de dano, ferimento. Não é a ocorrência.

Busca-se a eliminação de perigos como foco inicial na Segurança do Trabalho, mas isso nem sempre pode ser aplicado em aviação: Não é possível colocar-se grades ao redor das hélices ou entrada de ar dos motores a reação, por exemplo. A abordagem necessáriamente tem que ser outra:

-          GERENCIAMOS RISCOS !        -

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